Cur(arte) - A fibromialgia

17:58

Já há bastante tempo que queria fazer este post mas sinto que nunca tenho palavras suficientes para contar esta história da maneira correta.
Venho-vos falar da minha mãe. Como tal, nunca consigo exprimir totalmente o que sinto por este ser humano e isso dificulta muito esta tarefa.
Para mim é uma responsabilidade gigante falar sobre isto e sobre ela porque quero que tudo seja perfeito e nada me parece bom o suficiente.
Este ser maravilhoso que me deu à luz chama-se Linda (Deolinda) e não podia ter um nome mais compatível com a pessoa que é.
A minha mãe sempre foi uma pessoa com felicidade para dar e vender, sempre foi a pessoa mais bondosa que alguma vez possam imaginar. Ela é, e sempre foi, aquele tipo de pessoa que faz tudo por todos e que vê o melhor em toda a gente. O facto de ser tão boa com todos os que a rodeia sempre foi algo que nem sempre funcionou a seu favor porque quando somos bons demais as pessoas aproveitam-se de nós e pisam-nos sem dó nem piedade.
A verdade é que ela nunca falhou quando precisaram dela, sempre ajudou como podia todos aqueles que precisavam de ajuda (sem precisarem de pedir). Já todos sabemos como acabam estas histórias: quando ela realmente precisou, a grande maioria limitou-se a virar-lhe as costas.
A minha querida progenitora sempre foi uma pessoa cheia de energia, nunca conseguia estar parada, trabalhava imenso, fazia tudo para toda a gente, cozinhava, limpava, dançava e estava sempre com um sorriso no rosto.
Com o passar do tempo, alguma desta energia foi-se perdendo sem razão aparente. Começaram as dores que não pareciam ter fim e que acabaram por se tornar incapacitantes. Passaram-se meses e meses, fez exames e mais exames, disseram-lhe que podia ser isto e aquilo, ouviu coisas ultrajantes como: " Ó minha senhora, isso é cancro" e outras falácias que não cabem na cabeça de ninguém. Até que um dia, surgiu um palpite que parecia ser o mais acertado: Uma doença sem cura que ainda não era muito conhecida. A maldita Fibromialgia.
Ó mãe, lembras-te quando, numa noite de verão, dançavas alegremente com um xaile nas costas e uma bengala?! Essa imagem nunca me saiu da cabeça, foi um momento tão feliz. E quando esta maldita decidiu atacar, a bengala deixou de ser um acessório utilizado para uma brincadeira e tornou-se num auxílio. Sei a vergonha que sentiste por usar uma bengala na rua, uma mulher com as suas 30 e poucas primaveras a usar uma bengala para se apoiar e para poder caminhar com menos dificuldade. Mas digo-te, quando olho para essa bengala só me lembro da tua força e sinto orgulho por saber que, mesmo quando mal podias andar, nunca ficaste parada.
Tiveste momentos horríveis, semanas em que não conseguias sair da cama, noites em que ficaste sozinha no hospital numa cadeira de rodas sem saber o que fazer... E eu sei que não fui a pessoa mais presente de sempre.
Quero que olhes para trás, penses em tudo o que já passamos, e em tudo o que TU superaste. Conseguiste tudo praticamente sozinha mesmo depois de te "pisarem" e abandonarem.
Só tinhas motivos para "desistir" mas nunca o fizeste. Agarraste na pouca força física que tinhas e começaste a fazer uns pequenos trabalhos, primeiro eram apenas uns bordados à mão, umas flores de crochê e depois alguma bijuteria... Depois descobris-te o gosto pela arte e a tua verdadeira vocação.
Pegaste em algo e fizeste disso a tua cura.
O artesanato pode não te curar fisicamente mas é a cura para a tua alma e eu tenho muito orgulho em tudo aquilo que conseguiste alcançar. Ainda há pouco tempo fazias uns pequenos trabalhos só para passar o tempo e agora? Tens pessoas que adoram o teu trabalho, tens a tua lojinha e tudo graças a ti!
Obrigada por seres tão forte e por me ensinares a enfrentar todos os obstáculos.
Gostava imenso de conseguir, na realidade, curar-te mas enquanto isso não é possível continua com a tua Arte.

Não existem caracteres suficientes para contar toda a tua história e tudo aquilo por que passamos mas tu sabes e nós sabemos.

Para todos aqueles que estejam interessados, visitem a página desta (super) mulher;
LINDA ARTES

i love you mom


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8 comentários

  1. Adorei o post, comovi-me imenso, tocou-me imenso, adorei imenso a maneira como escreveste! Tenho a certeza absoluta que a tua mãe é um ser fantástico, já sou admiradora dela e nem a conheço! Obrigada por partilhares esta história connosco, teus seguidores!
    Segui!
    Beijinhos enormes,
    BabyLú
    http://www.luciaffmoreira.blogspot.pt

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  2. Nem sei bem o que dizer... Também conheço pessoas na mesma situação que a da tua mãe e sei o quão complicado é... Espero que apesar de tudo ela se mantenha com uma atitude positiva perante isto tudo... É preciso é ter força!

    Com amor,
    sara

    priceless-ambition.blogspot.pt

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  3. oh este post foi tão lindo, quem me dera ter essa habilidade para escrever dessa forma
    se a tua mae ler isto (que tenho a certeza que vai ler ^^) ela vai adorar
    beijinhos

    http://umacolherdearroz.blogspot.pt/

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  4. Que lindo. Sua mãe é uma guerreira.
    Beijos,

    isabellecarnneiro.blogspot.com.br

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  5. Que lindo. Sua mãe é uma guerreira.
    Beijos,

    isabellecarnneiro.blogspot.com.br

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  6. Love it <3
    Beijinho**

    https://tinygirlreviews.wordpres.com

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